Meio&Mensagem
Nath Finanças: “Quando pesquisei sobre educação financeira, só tinha gente falando algo que não é para a realidade brasileira, para os meros mortais que acordam cinco horas da manhã”

Por AMANDA SCHNAIDER ascarlet@grupomm.com.br

Além de administradora, empresária e criadora do canal Nath Finanças, que reúne mais de 270 mil inscritos no YouTube, Nathália Rodrigues, a Nath Finanças, embarcou em uma nova jornada neste ano: a de apresentadora na televisão aberta. A convite do Mercado Pago, a influenciadora digital passou a comandar o novo reality show da Record, o Gincana da Grana, ao lado de Sabrina Sato. Em entrevista ao Meio & Mensagem, Nathália, que entrou para a lista da Forbes Brasil Under 30 e para a lista de grandes líderes mundiais da revista Fortune, falou sobre o início de sua carreira, a sua participação na TV e seus planos para o futuro.

Meio & Mensagem — Como foi o processo de assimilar que seu conteúdo estava ganhando mais visibilidade? De que forma você notou a ampliação de seu público?
Nath Finanças —
O que vejo é que a versão de influência de hoje está muito deturpada. As pessoas acham que é só fazer um post e três stories, acordar tarde e postar em uma caixinha de perguntas. Estamos vendo uma normalização desse tipo de influência, nada contra, mas como falo de educação financeira, para mim foi essencial entender meu público-alvo, no ambiente que eu queria alcançar. Não adianta nada falar de educação financeira se não sei quem quero alcançar, porque tem milhares de pessoas que falam de finanças. Quando escrevi o projeto de educação financeira para as pessoas de baixa renda foi com o objetivo de falar com um público como eu, que está ali começando o estágio, começando o primeiro emprego ou já está trabalhando, mas não sabe se organizar. Existe um nicho específico que fala sobre o tema, homem branco engravatado ou mulher branca que fala para você coisas pelas quais você nem passou. Quando pesquisei sobre educação financeira, só tinha gente falando algo que não é para a realidade brasileira, para os meros mortais que trabalham todos os dias, acordam cinco horas da manhã. Isso me incomodou e pensei: “Esse incômodo pode ser usado como influência”. Hoje estou muito grande, então as pessoas pensam que eu sou inalcançável às vezes, e quando respondo os comentários, as pessoas dizem: “como assim a Nath Finanças me respondeu?”. Muitos colocam o número de seguidores como se fosse melhor e mais relevante. Mas relevância é outra história. É quando você chega no local e você consegue transformar a vida daquela pessoa. Para mim foi essa mudança drástica em quase três anos.

M&M — Como veio o convite para participar de um programa de TV aberta?
Nath —
Fechei um contrato com o Mercado Pago no ano passado para falar sobre o serviço nas minhas redes sociais e renovamos para mais um ano, e eles criaram a Gincana da Grana. Como eu sou a embaixadora de serviços financeiros, eles me chamaram. Eles fizeram todo o projeto e vincularam com a Record. Pela primeira vez estava apresentando junto com a Sabrina Sato. Fiquei tremendo. Falei: “Sabrina, pela primeira vez eu estou aqui fazendo uma gravação para a TV, pelo amor de Deus”. E ela falou: “Nath, fica tranquila, eu vou te ajudar”. Estava acostumada com o teleprompter aqui de casa, porque gravo sentada para o YouTube. Lá, tive que ficar em pé. Quando gravo no YouTube, faço muita movimentação com a mão, tive de aprender a me portar na TV. A forma como nos comunicamos é muito importante. Gosto de cocriar junto com os clientes como o Mercado Pago. Hoje, na publicidade, as pessoas querem algo criativo, algo que faça sentido para a comunidade. Sei que às vezes o Reels pode ser cansativo, mas é uma forma criativa de criar em vez de postar uma foto e três stories mostrando o produto que, às vezes, você nem usa. Temos de entender como influenciamos para não perdermos a credibilidade. Só fecho trabalhos com marcas que consumo.

M&M — As emissoras de TV vêm procurando incluir influenciadores em seu elenco para aproveitar o forte engajamento dessas pessoas com o público. Como você vê esse movimento?
Nath — Acredito que a TV abre muitas portas. A primeira vez que fui para a TV foi em 2019, no programa da Fátima Bernardes. Eu não tinha Instagram, criei a conta da Nath Finanças naquele dia, porque pensei: “Vai vir muita gente me consumir, então, acho melhor ter um Instagram. Também tenho que estar no LinkedIn”. Ganhei dez mil seguidores naquele dia. A TV chega em pessoas que, às vezes, não conseguiríamos chegar pela internet ou que demoraríamos anos para alcançar. Tem gente que fala que a TV vai acabar, mas acho que não. A TV vai se reinventar. Hoje, estamos vendo influenciadores indo para TV. O Globoplay está contratando pessoas que trabalham com podcast. Acredito que mais para frente os criadores de conteúdo terão seus próprios programas.

M&M — Como planeja sua carreira daqui a alguns anos? Pretende levar seu conteúdo para alguma outra plataforma?
Nath
Não sou muito fã de focar somente em publicidade, porque nos tornamos dependentes. Tudo que se torna algo de que você depende é perigoso, principalmente quando você tem empresa. Hoje, as marcas me procuram, mas sei que não vou estar assim daqui a três anos, mesmo que eu faça um bom trabalho. Sabemos que na internet você pode estar bem ou pode ser esquecido. Quero focar na minha comunidade. Estou buscando minha certificação para ser analista de investimentos, porque não podemos parar de estudar. O problema do youtuber é que para de estudar. Mesmo no meio da pandemia, me formei em Administração, estou fazendo cursos para conseguir ajudar as pessoas com grupos de estudos gratuitos. Isso traz relevância, proximidade com o público, não vou sempre cobrar caríssimo para fazer uma consultoria. Também quero fazer consultorias com empresas, empreendedores, mas com um preço acessível. Quero conversar com as pessoas, trazer conteúdos e resolver problemas, porque sabemos que nessa pandemia aumentou o número de pessoas desempregadas. Esse é meu foco, tirar essas pessoas do endividamento.

M&M — Acredita que o reconhecimento vindo da TV é maior do que o da internet? Por quê?
Nath —
Não é que o reconhecimento é maior, as pessoas te veem mais. Tem pessoas que têm seis, dez milhões de seguidores e nunca ouvimos falar sobre elas, porque falam para um nicho específico. A TV pode reerguer uma pessoa. Mas internet e TV se complementam. Você pode até viver sem TV, mas às vezes as pessoas só vão confiar na credibilidade do seu trabalho quando você aparecer no jornal, principalmente na área de educação. É uma forma de criar credibilidade para o conteúdo, porque sabemos que as pessoas olham para o youtuber como se fosse um vagabundo. Nós, que trabalhamos com a internet, temos que tomar cuidado e não querer aparecer em tudo de uma vez, porque senão fica chato, as pessoas vão ficar enjoadas. Toda pessoa deveria ter uma assessoria de imprensa para entender esses pontos de que é importante, sim, também estar no jornal.

Crédito da foto no topo: Tomertu/shutterstock

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